“A vida é uma sombra ambulante / um pobre ator que gesticula em cena / por uma ou duas horas! Depois não se ouve mais nada! Um canto cheio de som e fúria! Dito por um louco e sem significado algum. (William Shakespeare).” Mac Beth. (Ato IV)
“Quem passou pela vida em brancas nuvens! / E num plácido repouso adormeceu! /Quem não sentiu o frio da desgraça! Quem passou pela vida e não sofreu! / Foi espectro de homem não foi homem! /Só passou pela vida, não viveu.” (Francisco Otaviano).
Se o leitor prestou bastante atenção aos textos que leu, deve ter notado, com grande facilidade, o pessimismo que se encontra nessas palavras. Cada uma das opiniões dos autores citados se encontra eivada de um sentido dolorosamente trágico. Tem-se a impressão de que, para eles, a vida é uma espécie de banquete de que somos convidados a participar, mas sem poder recusar o convite. As iguarias, que são extremamente diferentes, nós não as escolhemos e, uma vez servidas, não podem ser recusadas. Devemos comê-las até o fim, reclamando ou não, mas comer até que o prato fique inteiramente limpo. Não devemos nem mesmo interromper o banquete no meio e deixar a mesa antes que o banquete termine.
Dentre as passagens apresentadas, a de William Shakespeare possui, para nós, um particular interesse porque trata de uma questão fundamental para a nossa existência: a questão do sentido. A vida não tem um sentido próprio, mas o que damos a ela. Assim, se um homem acredita que viver é ter poder ou fortuna, nisso ele colocará o sentido de sua vida e a sua existência será uma luta permanente em busca do poder ou do dinheiro que ele considera como essenciais. Todos esses textos, no entanto, são parciais e produtos de leituras de mundo restritas e unilaterais.
Podemos, então, fazer uma pergunta: Como o Espiritismo vê o homem? Como a Doutrina dos Espíritos constrói a realidade humana? É isso que vamos discutir na 53ª SENOF, com o objetivo de construir, através do Espiritismo, um instrumento para a conquista de uma existência mais feliz, imprimindo melhor qualidade aos nossos dias. Pois quem vê além da existência saberá dar aos valores do mundo o seu peso justo, reconhecendo que além deles haverá sempre a VIDA e sua essência imortal. Essa consciência de ser diminui sensivelmente as dores insensatas e dispensáveis, que ainda nos fazem sofrer inutilmente.
A Doutrina Espírita parte de uma tese central: Deus existe e é necessário que exista, e o define como a inteligência universal, causa primeira de todas as coisas. Essa idéia de Deus como fundamento do mundo é a primeira noção de qualidade que a Doutrina Espírita imprime à vida humana. Quando acreditamos sinceramente na existência de Deus, com base na razão, quando acreditamos porque sabemos, e não por uma imposição dogmática, evitamos muitas angústias, inclusive aquelas que levam à idéia do nada e até do suicídio.
Uma segunda tese derivada da primeira é a seguinte: Há, para o Universo, um plano ou um projeto divino do qual cada ser é parte integrante, nos mais diversos mundos habitados. No que diz respeito ao nosso planeta, dois livros psicografados por Francisco Cândido Xavier e escritos por André Luiz e Emmanuel - Evolução em Dois Mundos e A Caminho da Luz - tratam desse assunto com abundância de detalhes. A ideia de um projeto divino é importante porque nos revela que o mundo possui um objetivo e que, portanto, não somos presas do acaso. Tudo o que acontece no Universo não se dá aleatoriamente, mas segundo a ação inteligente dos prepostos de Deus que com Ele colaboram na consecução desse projeto. Essa idéia nos diz ainda que como colaboradores de Deus nesse plano todos nós fazemos parte da construção de Sua obra. Essa conclusão dimensiona a nossa importância e aumenta consideravelmente a nossa auto-estima. Não somos um acidente fortuito da matéria, não somos um cometa que passa pelo céu vindo não se sabe de onde e indo não se conhece para onde; mas uma parte importante da obra de Deus. Esse é, por certo, o motivo da frase de Jesus segundo a qual Deus não está indiferente nem à morte de um pardal nem para um fio de cabelo que cai de nossa cabeça. Nós, portanto, somos importantes para Ele, assim, é fundamental que Ele seja importante para nós também e que façamos a nossa parte no projeto divino.
Enfim, a noção de qualidade de vida está intimamente ligada à pergunta: Quem somos nós? Por que estamos aqui na Terra? Por que somos responsáveis pela conservação deste orbe? Por que devemos buscar melhores condições de vida para nós e para o próximo? Como devemos conduzir a existência para viver melhor? A Doutrina Espírita responde a essas questões? Decida você e tire suas conclusões conosco, participando da 53ª SENOF. E não deixe para depois a difícil tarefa de descobrir a si mesmo e a VIDA! Pois uma existência pode ser efêmera, como as rosas de Malherbe que vivem apenas o espaço de uma única manhã. Mas a Vida é o que fazemos dela, cada dia, para todo o sempre. Não somos um agregado de átomos que pensa e sente e que terminará com a desagregação provocada pela morte, nós somos um espírito imortal em busca da plenitude. E só terá a plenitude relativa de um espírito em evolução aquele que imprimir qualidade ao seu viver, agora. Venha para a SENOF!